Este ensaio crítico de Carlos Calixto-Almeida denuncia o “ecocídio” do sistema educativo português, argumentando que a digitalização forçada e a dependência de ecrãs destroem a saúde mental, o pensamento crítico e a tradição humanista. O autor utiliza o termo “delírio dígito-psicótico” para descrever uma patologia coletiva que aliena alunos e professores, transformando a escola num espaço de entretenimento superficial em vez de um santuário de reflexão profunda. Através de uma análise interdisciplinar, o texto condena a submissão das políticas públicas aos interesses das gigantes tecnológicas, alertando para a criação de uma geração de “homonóides” intelectualmente passivos. A obra invoca filósofos e neurocientistas contemporâneos para sustentar que a omnipresença do silício e dos algoritmos asfixia a autonomia pedagógica e a relação humana essencial entre mestre e discípulo. Em última análise, o autor apela ao resgate da “skholé” — o tempo de ócio criativo — e defende o regresso ao analógico como um ato de resistência contra a mecanização do espírito.O «delírio dígito-psicótico», refere-se a um estado de alienação mental, dependência e perda de contacto com a realidade provocados pelo uso e abuso da tecnologia. Mais, o termo sugere que a digitalização não é apenas um erro pedagógico, mas uma patologia colectiva, um delirium que afecta a saúde psicológica e cognitiva dos alunos e professores através dos ecrãs.
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«Libertamos um monstro. Fomos muito ingénuos. Deixamos a vida digital das crianças para plataformas que nunca tiveram o bem-estar delas em mente. Precisamos sair do cativeiro digital para a comunidade». (Mette Frederiksen, primeira-ministra da Dinamarca)
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Também os professores vão sucumbindo ao esgotamento-pressão mental e emocional, à sobrecarga burocrática, aos atentados à ética deontológica e à desvalorização profissional – sendo sintomático o caso recente do caos caótico da digitalização a 100% dos exames nacionais de 2026, com o pagamento digitalizado-remunerado em saldo desvaliado-depreciado de 1 €uro por item corrigido-classificado, sujeito a imposto e em pressão máxima – multiplicando- se os casos de burnout, vindo mais a caminho, sendo que não há «nevoeiro político» nem desculpa-culpa que esconda e lave tamanho desmando-dislate político, que nem mesmo o velhinho slogan do «Omo lava mais branco» consegue branquear.
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Como nota de fecho, dizer que o ensaio não visa a crítica ad hominem, mas tão-só o debate e contraditório do modelo pedagógico, das ideias e da política educativa em exercício, com uma crítica contundente e acutilante ao erro e à magnitude crassa – errada – da digitalização na ludo-escola/luso-escola portugaliana. No tempo determinado, categoricamente a História e a História da Educação o mostrarão, pelo que não podemos pactuar com a elegia do absurdo e do erro.