Portugal aparece a encabeçar a tabela europeia, com quase 90% dos profissionais da educação a viverem
momentos de “bastante” ou “muito” stress no trabalho. A Comissão afirma ser “ainda mais preocupante” o
facto de, em Portugal, a proporção de professores que afirmam sofrer de stress no trabalho ser o dobro da
média da União Europeia. Segundo o estudo, as explicações para o desgaste da classe centram-se nas tarefas
administrativas, no cumprimento de exigências por parte de superiores ou na responsabilidade pelo sucesso
dos alunos. O esgotamento e o burnout são consequências comuns da área do ensino. De acordo com o
relatório da Comissão Europeia, mais de metade dos docentes considera que o seu trabalho afeta
negativamente a sua saúde mental e física, fazendo com que o excessivo número de horas extraordinárias,
as tarefas administrativas e o trabalho acumulado lhes tire tempo livre para a vida pessoal.
Os docentes dos Estados-Membros da União Europeia passam, em média, menos de metade (47%) do seu
tempo de trabalho a lecionar, utilizando o restante tempo com a preparação das aulas, com avaliações e com
atividades administrativas. No entanto, ao analisar individualmente os países e as regiões europeias, surgem
algumas diferenças na distribuição de tempo entre as tarefas. Na comunidade francófona da Bélgica, na
Estônia, na Finlândia e na Turquia, em média, os professores dedicam mais de metade do seu tempo de
trabalho ao ensino. Os docentes finlandeses dedicam um quinto do tempo de trabalho ao planeamento das
suas aulas e às avaliações. Por outro lado, os professores em França, Malta e Portugal dedicam quase um
terço do seu tempo de trabalho a estas atividades. No entanto, os professores portugueses são dos que têm
menos oportunidade de participar no desenvolvimento da visão e dos objetivos da escola. O inquérito TALIS
demonstrou que em Portugal, apenas 5% dos diretores referem que os professores das suas escolas têm
responsabilidade significativa em tarefas relacionadas com as decisões escolares, quando a média dos países
da OCDE é de 42%.